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O Barco do Mestre

Entre os meses de julho e setembro de 2008, o documentarista canadense Gavin Andrews, radicado no Amapá há 8 anos, percorreu a foz do rio Amazonas entre Pará e Amapá registrando uma das profissões mais antigas e também das mais importantes na Amazônia: a carpintaria naval.

A expedição resultou num filme de beleza artesanal. O Barco do Mestre é um retrato do ofício de homens simples e trabalhadores, encontrados em Breves, Vigia e Abaetetuba, no Pará – os pólos principais da produção desse tipo de embarcações da região.

No lado do Amapá, o filme nos leva ao Elesbão, comunidade estruturada sobre palafitas construídas na margem do rio Amazonas, que tem na fabricação de barcos sua principal fonte de renda, chegando a produzir uma média de dez barcos por mês em seus mais de uma dezena de estaleiros (em tempo: a vila irá passar ainda este ano por um estudo de avaliação pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, para propor seu tombamento como paisagem cultural do Brasil. Este pode ser considerado o primeiro resultado do documentário, visto terem sido seus pesquisadores que apresentaram a comunidade aos diretores do Instituto).

O Barco do Mestre nos apresenta homens que, mesmo sem ter certeza da continuidade da profissão e ganhando na maioria das vezes apenas o suficiente para garantir a sobrevivência da família, não escondem a paixão quase de menino pela construção dos barcos de madeira que emprenham a foz do maior rio do mundo, com as cores e historias muitos vivas desse povo ribeirinho.

“Quando eu coloco um barco na água, chego a ficar mais feliz do que o próprio do dono do barco” – confessa o emocionado  mestre Mapará – João Ferreira, mestre carpinteiro em Abaetetuba, referindo-se a um barco de três toneladas que havia entregue ao rio e a seu dono, semanas antes de ser entrevistado pelo documentarista e sua equipe.

Gaiolas, catraias, canoas, batelões, vigilengas, etc. – são tantos e de tão variados tamanhos os barcos feitos pelos mestres como os rios pelos quais navegam.

Mestres como o Seu Silas (Elesbão) e Grilo (comunidade do  Rio Cupuaçu, Barcarena), que, como a maioria desses “fazedores de barcos”, não sabem ler nem escrever, mas que são mestres no fazer e ensinar desta arte aprendidas ainda na infância: uma profissão pouco conhecida, e menos ainda reconhecida, apesar de ter mais de 400 anos no Brasil.

O Barco do Mestre é um dos vencedores do edital Etnodoc de 2007 elaborado pelo Centro Nacional de Cultura Popular/IPHAN em parceria com a Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro, que premiou projetos de vídeos etnográficos sobre patrimônio cultural imaterial em todas as regiões do país.

O documentário fará parte da grade de exibição da TV Brasil e irá compor o acervo do Museu do Folclore Nacional.

 

 

 

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O Barco do Mestre

HDV 720p24 | 24 min
Produção: Castanha Filmes
Producão Executiva: Etnodoc/ACAMUFEC
Direção e Fotografia: Gavin Andrews
Produção e Pesquisa: Vanda Pantoja, Manoel do Vale

Elesbão – AP

Vigia – PA

Breves – PA

Abaetetuba – PA

Barcarena – PA