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05/06/2010 Jornal O Liberal (Belém/PA)

Após um ano de produção, o documentário “Ver-o-Peso” foi exibido ontem à noite no próprio mercado. Em vez de serem apenas personagens, trabalhadores do complexo participaram de forma direta da pós-produção do vídeo e ainda foram agraciados como principais espectadores da sessão de estreia. O documentário faz parte dos projetos “Ver-as-Ervas” e “Inovacine”, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa).

O diretor Gavin Andrews, canadense que mora no Amapá, não queria ser só mais um a contar histórias sobre o Mercado do Ver-o-Peso. Em vez disso, a edição do documentário, de 50 minutos, dá a primeira voz aos próprios comerciantes. Durante as gravações, o documentarista fez questão de ter interação com os entrevistados e ainda teve apoio de pesquisadores do projeto e de representantes dos feirantes. Os vendedores podiam até assistir e comentar sobre a construção da narrativa do filme, chamando atenção para possíveis equívocos.

“Essa foi uma forma de mostrar ao máximo a diversidade que se encontra aqui”, diz Andrews, que já dirigiu outros quatro documentários no Brasil. Um dos objetivos era valorizar o feirante e promover os saberes populares tradicionais divulgados por eles, mas, o calor das discussões trazia à tona os problemas enfrentados por eles no dia-a-dia e as possíveis soluções. No fim das contas, tais questões também estimulam o espectador a pensar sobre a importância do Ver-o-Peso e seu papel para a população paraense.

Nos dez anos como morador do Estado vizinho, o diretor já havia visitado Belém e o Ver-o-Peso como turista. Mas, depois de semanas em gravações, notou que não se trata apenas de uma feira com comércio, pois os trabalhadores de lá têm relação íntima com o espaço. Muitos deles passam mais tempo no Ver-o-Peso do que em casa, não só pela obrigação profissional, mas também pela identificação com o mercado.

As filmagens foram feitas em três períodos do ano passado, durante as festividades juninas; em agosto; e em outubro, durante o Círio de Nazaré. Já na fase de edição, a partir de janeiro, as entrevistas foram resumidas e organizadas por temas. Por enquanto, só estava programada exibição no próprio documentário. Contudo, escolas e cineclubes já demonstraram interesse em fazer sessões com o novo trabalho de Andrews. Além disso, ele aproveitou para divulgar na TV Brasil e TV Cultura.