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pub-simao-emailNovo Horizonte, zona norte de Macapá. Um bairro de ruas largas e esquecidas; de muitas crianças e sotaques… E um arzinho de cidade do interior, onde árvores ancestrais sombream lares humildes em ruas de chão batido pelo sol e pela chuva, e por um povo migrante, trabalhador.
Nesta cena brasileira, surge um personagem tão liricamente real que virou documentário: o Simãosinho Sonhador.
Vencedor da quarta edição do edital Doctv Brasil – terceira no Amapá, o filme surpreende por sua narrativa e visão original ao contar a história de vida do poeta de cordel Simão Alves de Sousa.
Um homem de setenta e seis anos que seria mais um desses rostos anônimos, curtidos pelo sol equatorial e abatidos pelo tempo e a luta diária pela sobrevivência, não fosse ele o poeta que chegou a espantosa cifra de quase 17 mil livros vendidos em Macapá em sete anos e quatro edições: o ABC da Mulher. Uma homenagem simples e tocante àquelas que ele considera a mola que move o homem e seus sonhos.
E foi o jeito simples e ao mesmo tempo preciso de escrever desse poeta, e a alegria com que ele encara o desafio de viver vendendo livros e relógios, que inspiraram o roteirista e diretor Manoel do Vale a produzir um filme de fôlego e poesia, que encanta com sua fotografia delicada, de luz suave em cenas tão reais que parecem oníricas, retrato de uma cidade e seus artistas populares. No roteiro eles aparecem tocando viola, riscando no chão, desenhando e transformando o desenho em poesia visual; dançando, contando história. Personagens reais que têm o mesmo árduo ofício do poeta: viver da arte. Da arte de nos fazer mais humanos. Mais felizes.
O documentário, que tem sua estréia marcada para a noite do dia 5 de junho, no Teatro das Bacabeiras, levou quatro meses para ser produzido, rodado e finalizado. E usou como locações a Comunidade Quilombola do Curralinho; o Circo Roda Ciranda, armado no Colégio Bartolomea, e no Novo Horizonte, onde Simãosinho mora.
A empresa escolhida para a produção foi a Castanha Filmes, do também diretor Gavin Andrews, vencedor da edição Doctv III com o filme Alô, Alô Amazônia. Na equipe, um naipe dos melhores profissionais em atividade na cidade: Bruno Jerônimo fez a produção; na direção de arte Patrícia Andrade, na produção musical Paulo Bastos e na fotografia Gilmar Pureza.
O Doctv é o programa de fomento à produção e teledifusão do documentário brasileiro, criado pela secretaria de áudio visual do Ministério da Cultura, com o apoio da Associação Brasileira de Emissoras Públicas Educativas e Culturais – ABEPEC; A Fundação Padre Anchieta – TV Cultura e a Empresa Brasileira de Comunicação – TV Brasil. Como no Amapá não há tevê pública, a SECULT é que assume o papel de organizar, divulgar e dar a contrapartida orçamentária aos projetos vencedores, que em três anos de edital já somam mais de 38, um índice bastante expressivo se comparado a outros estados.
No Brasil todo o número de projetos contemplados chegou a 37 este ano, democratizando os recursos públicos até então concentrados no eixo sul/sudeste.
“O Doctv é a chance que a gente tem de mostrar o que sabe fazer de melhor no campo do áudio visual, principalmente num estado como o Amapá onde os recursos são escassos e não há uma política cultural que permita o acesso aos recursos de forma mais direta, sem tantos entraves e desvios burocráticos que são um verdadeiro banho de água fria em que faz cultura”. Diz o diretor Manoel do Vale, que acredita ter alcançado o objetivo desejado com o documentário Simãosinho Sonhador que era o de reunir artistas populares de reconhecido talento que estão fora do nicho das “celebridades” para quem os recursos e patrocínios são mais fáceis e constantes.
Simãosinho Sonhador é um filme lúdico, mas ao mesmo tempo mostra a realidade de Macapá por um ângulo poucas vezes fotogrado.

Lançamento do “Simãosinho Sonhador” e a Série Doctv IV: Sexta-feira, 5 de maio as 19h30 no Teatro das Bacabeiras

creditos institucionais

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